Por: Thayná Serra

7 mitos e verdades sobre Hip Hop: Cultura

Por Ariene Leite e Carolina Faria

O Hip Hop nasceu como um movimento de contracultura, no Brooklyn, a partir da insatisfação da comunidade com a violência policial e desigualdade social. Mas como toda construção de movimento sociocultural, vários mitos pairam no imaginário dos integrantes e admiradores do movimento, e muitos mitos são tidos como respostas oficiais.

Ali, naquele 12 de agosto, 4 elementos culturais em ebulição se encontraram em uma festa para celebrar a paz: o Rap, DJing, Breaking e Graffiti.

No Brasil dos anos 90, o Hip Hop se tornou um sinônimo de resistência social. ****Eram nas coreografias, rimas, paredes e bailes que a favela demonstrava sua insatisfação com o cenário social e principalmente, o sentimento de reconhecimento pessoal. Como já dizia Mano Brown: “Aí, o rap fez ser quem eu sou”.

É necessário relembrar que, nessa época, vivíamos um dos ápices da política de repressão e violência estrutural dos corpos pretos e pobres. Por exemplo, Racionais Mc’s, Facção Central utilizavam os elementos do Hip Hop para denunciar esse cenário. Desde então, o lado político e transformação social se tornam evidentes, e nasce uma dúvida na comunidade: O Hip Hop é um movimento político ou uma cultura?

Apuramos 7 dessas histórias e viemos te contar o que é Mito e o que é Verdade nessa diferença. Vem com a gente!

1.“O Hip Hop é só arte, não tem nada de política” MITO!

Todos os elementos do Hip Hop foram fundados a partir de vivências de corpos não-brancos e periféricos, como denúncia de violências e esquecimentos acontecidos em suas quebradas. Como KRS One, considerado pai do movimento, disse em entrevista uma vez: “Hip Hop é política, política da rua na rua […] um estilo de vida, um estilo de pensar.”

Além de utilizar a arte como denúncia social dentro dos pilares, o Hip Hop também tem um papel grande de conscientização político social de corpos e lugares excluídos das propostas dos governos, abrindo espaço para uma peça fundamental da vivência em cidades: o senso de comunidade e pertencimento dos espaços frequentados.

2. “É possível aprender cidadania com o Hip Hop”

VERDADE!

O Hip Hop, por ser um movimento criado e voltado para as ruas, atua (muitas vezes) como professor para os que o seguem. Além do conhecimento musical, aquele que vive o Hip Hop geralmente passa a conhecer mais sobre a sociedade e a questionar os problemas e questões presentes nela – como o racismo, sexismo, desigualdade social, pobreza e corrupção. São pautas frequentemente levantadas pelo movimento tanto nas músicas quanto entre as pessoas que fazem parte, de alguma forma. Então é certo dizer que você não só aprende sobre cidadania mas também luta para que os problemas sociais sejam menores do que são hoje.

3. O Hip Hop não tem lado político

MITO!

Desde que o Hip Hop foi criado a preocupação com a política sempre esteve presente. Ao lutar pela igualdade social, o movimento se alinha com os princípios seguidos pela esquerda, e portanto, desaprova a direita que é conservadora e preza pela não participação do estado na sociedade e o bem estar individual. Se pensarmos ainda na proposta da extrema direita (que vai em direção contrária com a liberdade de expressão) fica difícil imaginar como o Hip Hop se alinharia com esse ideal que literalmente o calaria.

4. “O Hip Hop é machista.”

VERDADE

Infelizmente essa frase é verdadeira. Ainda que seja um movimento de denúncia ele ainda possui algumas falhas, como é o caso do machismo. Você percebe isso nos shows que possuem line ups com maioria masculina, nas letras que desvalorizam as mulheres e no pouco espaço e visualização que as garotas recebem no meio, mesmo fazendo o mesmo que os homens (ou ainda mais). O apagamento de grandes figuras que ajudaram a criar o movimento é por si só uma falha enorme. Personalidades importantes como Cindy Campbell, Sylvia Robinson, Dina Di foram fundamentais para a criação do que conhecemos hoje como Hip Hop, mas não são valorizadas simplesmente pelo fato de serem mulheres.

A problemática se estende para além da música. No Breaking vemos muitos relatos de mulheres que sentem a necessidade de se vestirem de forma “masculinizada”, ou não como elas gostariam, para que possam ser levadas a sério pelo público e pelos seus colegas homens.

5. “O Hip Hop fez mais mal para os jovens negros americanos do que o racismo.”

MITO!

Essa frase dita pelo comentarista Geraldo Rivera, da Fox News, foi relembrada pelo rapper Kendrick Lamar na música “DNA”, do álbum DAMN. O comentário foi feito após a escuta da música “Alright”, uma carta de esperança e denúncia contra a brutalidade policial comumente direcionada às pessoas negras dos Estados Unidos. O diálogo transmitido pela televisão mostrou um pouco de como funciona o racismo na prática. A desaprovação por um movimento criado e pensado por pessoas negras serve como apagamento e como desvalorização das questões que esse povo possui na sociedade. Além disso, não há como o Hip Hop, que ensina e trata da autoestima do povo preto, ser pior do que algo que mata e adoece como o racismo faz.

6. “O Rap/Hip Hop faz apologia ao crime e às drogas.”

MITO

Assim como a maioria dos mitos dessa lista, esse aqui foi criado a partir de estereótipos racistas e eugenistas. A explosão do rap nos anos 90 escancarou duas problemáticas que só aumentavam no Brasil: a violência policial e a guerra às drogas. Ambas, têm até hoje como cenário e alvo principal corpos pretos e periféricos. Naquela época, grupos como Racionais Mc’s e Facção Central chocaram parte da população rimando sobre suas realidades e os lugares onde vinham, retratando a violência do estado, o abandono de suas quebradas, crime, encarceramento e claro, falta de oportunidades. É a partir desse momento que começa um projeto social de apagamento e criminalização de gêneros periféricos que se estende até hoje com a perseguição a artistas de funk, como vimos com o Mc Cabelinho em 2021, preso na calada da noite por fazer “apologia ao crime”.

7. “O grafite, que faz parte do movimento, pode ser considerado arte.”

VERDADE

O grafite é uma arte de rua realizada por artistas visuais e é também considerado um dos pilares do movimento.

Por se tratar de uma construção feita nas ruas muitos tendem a reduzir o grafite a poluição ou sujeira. O achismo se agrava quando falamos do pixo ou das tags criadas pelos grafiteiros. Por não terem tantas cores, desenhos ou formas consideradas belas pela sociedade a manifestação tende a ser diminuída e pouco apreciada.

Um grande exemplo dessa percepção equivocada do grafite partiu do próprio prefeito da cidade, João Doria, que em 2017 decidiu apagar todos os grafites para deixar a cidade mais “limpa”. Ele também já declarou o seu “repúdio aos pixadores”.

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