A.C.R: Anarquistas Contra o Racismo

Anarquia com recorte racial: conheça os motivos e o histórico da organização

Na segunda metade dos anos 70, uma força autodestrutiva emergiu de uma juventude mergulhada em caos. O punk se materializa como um grito de ódio e desprezo contra um sistema que segue despedaçando a humanidade. Antes de se tornar um movimento ativista, o punk se consolidou como um rompimento cultural, comportamental e estético.

Ao andar pelos subúrbios do Reino Unido durante o começo dos anos 80, damos de cara com Sex Pistols, Crass, Clash & Cia e Dead Kennedys e, chegando em solo nacional, temos Ratos no Porão, Cólera, Kaus, Garotos Podres e algumas outras bandas que incendiavam criativamente a cena punk nacional em meio à ditadura.

Mas, o que é o Anarcopunk?

Essa vertente do punk foi o primeiro passo para politizar a cultura.

As primeiras células anarquistas brasileiras surgem no começo nos anos 90 quando jovens paulistas entendem que para realmente fazer barulho era preciso aplicar aquilo que lutavam na política.

Inspirados no anarquismo clássico e no movimento anti-arte, surge o MAP (Movimento Anarco-punk) que tornou-se um dos pilares do que atualmente entendemos como a ética do anarquismo contemporâneo.

Anarquistas contra o racismo

Para uma luta definitivamente antirracista, é preciso sair da superficialidade.

Mesmo que intrinsecamente o anarcopunk seja antifascista e, na época, falava-se abertamente sobre ser antirracista, o desdobramento social que ocorria era superficial. Por isso, uma das iniciativas foi a criação da A.C.R (Anarquistas Contra o Racismo).

O que antes acontecia de maneira oral, passa a ser divulgado via zines e em veículos libertários. Indivíduos e coletivos buscavam somar na causa, procurando maneiras para lutar contra os grupos de supremacistas brancos que ganhavam cada vez mais força, principalmente no ABC paulista e no centro de São Paulo.

Com sua sede no atual Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo (CPDCN), A.C.R reunia mulheres, nordestinos, movimento negro e organizações judaicas com objetivo de estruturarem-se para combater o preconceito e discriminação.

13 de maio de 1993

Passeata revolucionária

Em meio aos ventos do outono, mais de 4 mil pessoas se reuniram em uma passeata para protestar contra a crescente nazifascista que já havia assassinado um adolescente negro a pouco tempo atrás. Gritos por justiça eram entoados por inúmeros militantes anarcopunks.

Após a manifestação, um ativista foi violentamente atacado por skinheads do grupo “Carecas do ABC”. Mesmo com a baixíssima divulgação midiática do caso, essa agressão foi a gota d’água; não havia mais desculpa ou situação mais importante, era preciso agir.

Em vez de nós entrarmos no campo da violência física com os fascistas, nosso projeto buscou e busca construir alianças com vários setores sociais para, em conjunto , traçarmos estratégias eficientes para coibir a ação da extrema direita e combater as manifestações cotidianas de racismo na nossa sociedade”.

Relato de 1999 – Nome: desconhecido.

Hip Hop e o anarquismo

Da repórter para vocês: os pontos de conexão

Falar sobre o movimento Hip Hop também é falar sobre anarquismo. Parto do princípio pessoal de que ambos compartilham sentimentos em comum que se intercalam em diversos momentos históricos: a luta contra um sistema opressor, oposição contra hierarquias e qualquer tipo de dominação.

Assim como o Hip Hop nos ensina sobre coletividade alinhada a um objetivo, o anarquismo também e, arrisco dizer, de maneiras que pouquíssimas vezes ficamos sabendo, como através da alimentação e da educação.

Esses locais dialogam com os pilares do Hip Hop e com essa ideologia política anarquista. Ambos revolucionam, são vistos e combatidos como ameaças, transtornam o status quo e nos abrem um leque de possibilidades existenciais.

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