Moda, identidade e corpo: a coreografia estética das crews de Breaking

Conteúdo patrocinado pela Puma Brasil

Roupas, sobretudo os tênis, acompanham e influenciam cada passo dos breakers.

Pesquisa: Carol Brito, Aimme Araujo, Camila Soares e Nicoly Bahoc

O Hip Hop é um dos maiores movimentos culturais do planeta. Desde que surgiu entre as comunidades negras e latinas de Nova Iorque na década de 1970, não se limitou às notas musicais. Afrika Bambaataa, reconhecido como seu criador, estabeleceu quatro pilares essenciais: o rap, o DJing, o breaking e o graffiti. Todos esses elementos fizeram com que o gênero influenciasse a indústria musical e a moda ao redor do mundo.

O racismo massacrou as comunidades negras e latinas dos Estados Unidos. Com isso, o próprio povo criou gangues para dominar suas áreas. Os grupos, na tentativa de protegerem sua região, geravam uma rivalidade intensa, muitas vezes resultando em mortes de seus membros. O Hip Hop chegou e selou a paz: no lugar da violência, a rivalidade era resolvida com música e as disputas de dança.

Para nós a cultura Hip Hop era os quatros elementos. Toda gangue tinha o DJ, o MC, o breaker e o grafiteiro, e depois de um tempo tivemos o prazer de encontrar o mestre Afrika Bambaataa, que trouxe o quinto elemento: a mente, em função de organizar tudo isto e fazer girar”, conta Marrom MC, membro da Crew Nação Zulu.

Divulgação/Puma

O Breaking se torna a manifestação corporal do gênero. As batidas guiavam as Crews, que substituíram a violência das gangues e as disputas territoriais por batalhas de dança. Se para os rappers a voz é essencial, para os b-boys e b-girls o corpo é o principal destaque. Movimentos no ar, mãos no chão, passos únicos e grandes saltos fazem parte do estilo.

Se engana quem pensa que a dança que conquistou os bairros dos Estados Unidos e do mundo não possui estética própria. Os bailarinos adentravam os lugares com suas boombox (o melhor equipamento para ouvir o som), agasalhos com símbolos e cores das suas crews, roupas largas, correntes e Puma nos pés.

“Sou suspeita de falar das roupas ideais para uso no Breaking, mas os agasalhos são a melhor roupa para dança!”, conta Kika Maida, primeira dançarina de Breaking no Brasil.

O fenômeno chega ao nosso país na década de 1980, um período de caos que exigiu mudanças e novos direcionamentos políticos no país. Após o longo período de ditadura militar, o processo de democracia seguia turbulento e a sociedade estava tomada pelas imposições anteriores. Foi então que Nelson Triunfo e a Funk & Cia levaram a dança para as ruas do centro de São Paulo, especificamente na São Bento.

Assista agora ao documentário.

Lá enfrentaram a repressão da polícia, pois a união de pessoas no espaço público era vista como ato de desobediência civil. O embate aconteceu de cara, mas foram naquelas ruas que os b-boys e b-girls fizeram a dança se expandir por todo o país.

Além das novas técnicas que foram criadas para o Break, as Crews brasileiras se tornaram inspiração em nível global. “Quando começamos na São Bento, não tinha tecnologia, nós íamos nas bancas de jornais da República para pegar algo relacionado à música e à dança. Precisávamos adivinhar cada passo, não sabíamos o que era b-boy, por exemplo. Nós criamos do zero nosso próprio estilo brasileiro, misturamos a capoeira com breaking, o que é muito complicado.” conta Zulu Master, da Crew da Nação Zulu.

A relação do tênis Puma Suede com o Breaking:

Nas décadas de 1970 e 1980, o gênero Hip Hop explodia nas festas e o breaking começou a explodir em toda a cidade de Nova Iorque – muitos dos frequentadores da cidade usavam Puma Clydes e Puma Suedes.

Eles trouxeram os tênis para a festa e perceberam que a aderência que a sola de borracha proporcionava era perfeita para o breaking. Além disso, a grande variedade de cores que a camurça apresentava, combinada com cadarços grossos e coloridos, criava um visual que viria ser assinatura do estilo Hip Hop.

Divulgação/Puma

O Suede surgiu nas primeiras batalhas de dança no South Bronx, até o filme Beat Street, equipes de b-boys como o NYC Breakers e o Rock Steady Crew se vestiam com Puma da cabeça aos pés. Como o Breakdancing se popularizou em todo o mundo no início dos anos 1980, essas equipes, que recebiam exposição mainstream, fixaram a conexão entre a cultura e o Puma Suede  na mente de milhões de breakers.

“O melhor tênis, o mais confortável para dançar, é aquele que não prende muito no chão, dando liberdade para os passos. Foi um tênis que marcou muito minha trajetória no Breaking ”, conta Kika Maida.

O Suede também expandiu a cultura do Fat Lace (Cadarço Grosso), sendo uma das chaves principais para o estilo despojado dos dançarinos. A reputação do Suede como o tênis preferido dos fenômenos culturais de ponta estava em consolidação e toda uma nova geração de artistas aumentaria ainda mais sua popularidade nos anos 90 e no século 21.

Divulgação/Puma

Breaking impactando a Moda

“É só ver os estilos de rua de videoclipes, capas de discos, filmes e novelas que você vai ver que o estilo dos breakers junto do Hip Hop está em todos os lugares. A gente chegou para inspirar e é isto que estamos fazendo!”, conta Thaíde.

Essa frase do Thaíde, membro da Black Spin, uma das principais Crews do movimento, é simples e direta: o Hip Hop influencia a moda há décadas. Está na nossa frente, pois está nos jornais, nas passarelas da moda e em diversos artistas de outros segmentos.

O estilo dos breakers sempre foi pensado para o conforto, então os looks eram muito voltados para roupas esportivas, de olho na mobilidade dos passos . Nos anos 1990, as Crews andavam combinando as cores dos agasalhos esportivos, pois eram peças mais fáceis de fundir entre os demais.

Há também destaque para as jaquetas pintadas, comuns entre as gangues nos anos 1970, e que passam pelas décadas, até chegar na icônica customização de jaquetas – principalmente jeans -,  aderida pelas crews de Breaking.

Atualmente, a dança de rua está cada vez mais em evidência. O Breaking se tornou modalidade nas Olimpíadas e irá estrear nos Jogos Olímpicos de Paris de 2024; é a primeira dança esportiva a fazer parte do quadro olímpico!

Mais de quatro décadas atrás, o primeiro passo para selar a paz foi dado pelos primeiros breakers do mundo, transformando-se também  em manifestação política e comportamental. O ponto comum a todos os estilos de dança de rua é a expressão individual movida pelo coletivo. Breaking é assim como o Hip Hop: plural.

Curtiu? Esse foi um conteúdo patrocinado pela Puma. #OLegadoContinua. Veja mais sobre o Puma Suede e a história do breaking em São Paulo no minidocumentário “A Onda do Break”.

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