A importância da figura materna no rap

Artistas de diversos gêneros musicais falam sobre relacionamentos familiares em suas canções, com destaque para as mães, acredito que em nenhum estilo esta narrativa seja explorada da mesma maneira que acontece no hip hop. Porque a fita é que você é filho de alguém, que é filho de um outro alguém e assim vai, e o ponto que liga todas essas pessoas é o marco que a figura materna deixou em suas vidas, independente de como isso tenha sido.

Segunda dados do IBGE, cerca de 34,4milhões de lares são chefiados por mulheres, colocando de maneira prática: quase metade das casas brasileiras tem mulheres como responsáveis financeiras. E de acordou com o SEADE feito no segundo semestre de 2019, em São Paulo 46% dos arranjos familiares tem mulheres sustentando filhos e/ou netos sem a presença de um cônjuge.

“Mãe, tô no corre

De te dar uma casa branca, sem ter que pegar no fuzil […]

Hoje eu me tornei um homem porque eu vim de uma mulher”

Favelado Também Pode (part. Dfideliz) – MC Caverinha

Sempre entendi o rap como um processo de externalização, como uma das várias maneiras para se falar sobre o que já foi vivido, experiências, medos e esperanças. Então não é estranho ver cantores nacionais e internacionais falando das relações com suas figuras maternas.

Não é possível falar sobre o relacionamento mãe e filho sem analisar os contextos socioeconômicos, principalmente, quando esse relacionamento é apontado dentro do hip hop e como isso dialoga com o macro.

“Profundo ver o peso do mundo nas costa de uma mulher

Alexandre no presídio, eu pensando em suicídio

Aos oito anos, moça, de onde ‘cê tirava força?”

Mãe – Emicida

O rap vem da rua, vem da periferia, das favelas, de pessoas que começaram a trabalhar cedo demais porque a realidade da sobrevivência bateu na porta. Vem de um espaço com uma lista gigantesca de pais ausentes, onde mães se tornaram o pilar dos lares. E para pessoas pretas, também é um processo de retomada, retorno para um local onde o matriarcado era predominante.

As frases saem da boca de pessoas que viram suas mães trabalhando em dois, três trampos na esperança de um futuro diferente para seus filhos, de quem se viu precisando entender que a ausência e o cansaço não eram por um querer mais sim por uma necessidade.

As linhas vem das mãos de pessoas que buscam uma maneira de sinalizar para o outro um “ei, eu sei o que você viveu” enquanto trazem ensinamentos, mostram que a realidade não é a mesma para todos e que sim, é preciso falar para que existam mudanças.

E a minha mãe diz:

Paulo acorda, pensa no futuro que isso é ilusão,

Os próprio preto não ‘tá nem aí com isso não,

Olha o tanto que eu sofri, que eu sou, o que eu fui,

A inveja mata um, tem muita gente ruim”

Jesus Chorou – Racionais MC

Com isso, diversos artistas falam sobre a importância da figura materna e os desdobramentos desta relação. Falam sobre como isso moldou as pessoas que eles são hoje em dia, sobre o entendimento do que é amor. Dialogam como suas mães são suas principais fontes de inspiração e foco, como existiu um apoio mesmo sem total concordância com o caminho trilhado.

Falam sobre serem diferentes para seus filhos, sobre pedidos de desculpas e, principalmente, sobre a importância dessas mulheres em suas vidas. Esses sons dialogam e inspiram diversas pessoas. São neles que identificamos nossa realidade, que conseguimos chorar e retomar o fôlego para continuar.

Tem playlist nossa com diversos sons que falam sobre maternidade

Compartilhe nas suas redes sociais

Share on facebook
Share on twitter

1 comentário em “A importância da figura materna no rap”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Somos veículo de revolução