Da elegância ao terror: uma análise dos figurinos de Michael Jackson

Um olhar sobre a veia fashion do artista do milênio, seus looks icônicos e sua inegável paixão pelo terror

Michael Jackson sempre foi um artista à frente do seu tempo. Ainda pequeno, com 6 anos, começou a cantar com os seus irmãos mais velhos no Jackson 5, já sendo possível notar o quanto ele se destacava em suas performances.

Por ser multifacetado e completo, Michael conseguia passear pela sensação de felicidade e esperança ou ainda de raiva e tensão. Ele conseguia passar tudo isso que sentia para nós, seu público de váris formas: através da dança, das canções ou, ainda, dos figurinos que usava, um dos pontos que mais o marcaram na história.

Looks monocromáticos, roupas no estilo militar, jaquetas de couro das mais variadas cores e texturas… os vestuários que compunham seus clipes e shows eram muito observados, comentados e faziam tanto sucesso que ditavam – e ainda ditam – tendências no mundo da moda.

A elegância foi uma das características que Michael resolveu se apoderar logo de cara, ainda no seu primeiro clipe solo, considerado um de seus primeiros hits em nova fase, para “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”, de 1979. Quem não se lembra dos terninhos clássicos que ele usava? A gravata borboleta de “Don’t Stop”, com o tempo, daria espaço para as luvas e chapéus, geralmente na mesma paleta de cor do ternos. O todo branco usado por ele em “Smooth Criminal” teve todos esses elementos incorporados e foi um fenômeno gigantesco nos anos de 1980 e 1990.

Algumas teorias sobre as luvas reforçam que o cantor as usava para além da estética, já que, na época em que começou a usar, ele já sabia que tinha vitiligo – condição dermatológica que provoca mudanças na pigmentação da pele. De acordo com um relato que a atriz e amiga de Michael, Cicely Tyson, deu para a CNN em 2009, “era uma forma de esconder as alterações”.

O vestuário do clipe da canção de 1980 “Rock With You”, um macacão brilhante com botas combinando, também foi marcante no período de início dos trabalhos solo. Foi um dos primeiros momentos em que ele se arriscou nos brilhos e pedrarias, algo que iria incorporar com mais frequência em outras roupas. Depois disso, era comum ele aparecer com combinações de roupas militares (ou inspiradas nas vestimentas reais) e fitas douradas, pérolas e strass. Tudo isso adicionava uma camada a mais para as suas apresentações e aparições.

Hoje não tem quem negue que ele era um artista extremamente visual. A preocupação com a estética em seus videoclipes e shows o fez chegar ao título ao qual ele era mais conhecido, o de “Rei do Pop”. Ele se considerava um perfeccionista e por isso acreditamos que nenhuma escolha que fazia era por acaso. Suas decisões eram fruto de elementos que Michael se interessava e se inspirava e, portanto, utilizava para o representar como artista. Com o tempo, não foi difícil perceber que outros grandes nomes do mundo da música, como Beyoncé, Pharrell e Lady Gaga, beberiam da mesma estética que ele.

E por falar em elementos que era apaixonado, alguns desses tinham mais importância para o Michael do que outros, marcando certas fases de sua vida. Um deles foi o terror. Os primeiros flertes que teve com o gênero foi ainda em 1982 com o seu álbum “Thriller”. O álbum é até hoje o mais vendido da história e o clipe tornou-se uma referência do audiovisual.

“Thriller”, além de ser nostálgico em todos os sentidos, é uma obra de arte do ponto de vista de produção e inovação. Se pensarmos em quando o videoclipe foi feito, é possível perceber que houve um trabalho bastante meticuloso para que os zumbis pudessem ganhar “vida”. A narração, o sound design, os figurinos e a maquiagem, tudo foi pensado para que quem estivesse assistindo sentisse o que a personagem interpretada pela modelo e atriz Ola Ray estava passando naquele momento.

Existem ainda outros momentos da sua carreira que comprovam que ele era apaixonado por suspense e horror. Nas performances, o artista utilizava luzes, vestimentas e maquiagem para compor o ambiente das músicas que se alinhavam com o tema. Como é o caso da apresentação de “Dangerous” feita na cidade de Munich, em 1997. Nela, os dançarinos aparecem com luvas que aparentam ser mãos ensanguentadas, Michael canta como se sussurrasse para a audiência algo trágico demais para ser contado e a maquiagem dos dançarinos se destaca por ser sombria o que reforça ainda mais essa sensação.

Sua relação com o tema o fez embarcar na sétima arte. Em 1996 ele também lançou o curta-metragem “Michael Jackson’s Ghosts” que foi escrito por Stephen King, um dos grandes mestres do gênero. Como o título sugere, o curta, além de brincar com a ideia dos fantasmas, também traz esqueletos, monstros e feitos sobrenaturais para a tela. Uma experiência de terror completa e com muita dança, é claro! Passos, looks e poses de deixar de cabelo em pé, não é mesmo?

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