Autoestima negra e as bonecas Bratz

A estética, estilo e representação das bonecas Bratz tem muito a ver com a autoestima negra dos dias atuais.

Tasha e Tracie já disseram que “quem nasceu pra ser Susi nunca será Bratz”. Quem viveu na pele de uma menina negra no início dos anos 2000 sabe exatamente o que elas querem dizer. As famosas Bratz chegaram para mudar o game no mundo das bonecas com seus olhos grandes, lábios carnudos e um interesse inigualável por moda. E junto de tudo isso, uma variedade de tons de pele, cores e texturas de cabelo – o que não se via em Barbie ou Susi alguma daquela época.

Para entender como essas bonecas se tornaram uma referência para a auto estima de meninas negras, é importante saber que as bonecas desempenham um papel crucial na conversa sobre pertencimento. Quando se é criança e você não se vê nas bonecas que brinca, é mais difícil ter uma noção completa de quem se é – como você se vê (de forma positiva), e como os outros te enxergam.

E até muito recentemente, esse sentimento de pertencimento era limitado a garotas cisgênero magras, brancas e fisicamente dentro de um padrão de beleza.

Divulgação/Teen Vogue

As bonecas Bratz nasceram em 2001 – uma ideia do ex-funcionário da Mattel, Carter Bryant. Bryant era designer de roupas da Barbie quando concebeu – e finalmente vendeu – a ideia para a concorrente MGA Entertainment, resultando no que se tornaria o empreendimento de maior sucesso da fabricante de brinquedos.

E elas fizeram sucesso exatamente porque, diferentemente da marca concorrente, as Bratz eram um dos poucos brinquedos que tinham representações de raça e etnia com as quais meninas fora do padrão eurocêntrico podiam se relacionar. Para mim pelo menos, as Bratz foram as primeiras representações positivas de traços caraterísticos negros.

Elas eram como as Spice Girls, só que mais ousadas. Então, talvez, para a gente seriam como as Destiny Child?

O que importa é que as Bratz apresentaram uma versão de representação feminina atrevida, elegante, diversa (aos padrões da época) e descontraída.

Getty Images

É por isso que, décadas depois, as bonecas continuam fazendo sucesso, sendo referenciadas em músicas, estilo e memória da gente. E elas seguem prosperando em um mundo digital socialmente consciente pelo mesmo motivo. Além disso, elas passaram a estimular a autoconfiança sem remorso e o pensamento progressista, provocando discussões sobre a importância da representação racial e concepções diferenciadas do feminismo.

A música BratZ, da Ebony (que curiosamente não cita as bonecas diretamente na música além do título, mas consegue condensar toda a energia das bonecas em um som), é um exemplo perfeito disso:

E um fato muito interessante é que a marca permanece muito atenta as novidades e conversando com o hip-hop. É só acompanhar a marca nas redes sociais que você encontra referências a Nicki Minaj, Doja Cat, Ice Spice e muito mais:

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