Clara Lima: O desabafo da mensageira do amor

A rapper foi a primeira mulher representante de Minas Gerais no Duelo de MC’s Nacional e tem influência no rap com o lançamento de três álbuns solos que marcam a nova fase de sua carreira

Por: Karina Lima

Clara é natural de Belo Horizonte. Sua família sempre viveu cercada de música, sobretudo a sua mãe que cantava na igreja, e seus dois tios, que também são músicos autodidatas. Com as referências prematuras, ela começou a carreira na adolescência, quando passou a participar de Duelos de MC’s, se apaixonando cada vez mais pelo Rap. “As Batalhas de MC’s tem uma representatividade muito grande de eu ser a artista que eu sou e ter a personalidade que eu tenho. As batalhas foram meu pontapé inicial, o que me direcionou de fato para o que eu queria fazer na música”, contou.

Dentre seus trabalhos com grandes parcerias da cena nacional, Clara fez parte da DV Tribo ao lado de Djonga, FBC e outros. Para ela, a experiência de trabalhar com personalidades diferentes a enriqueceu como artista, além de dar importância para o planejamento de carreira. Desde então, foram três discos solos que contém temas sobre desigualdade social, realidade das periferias, sonhos, desafios e amor – que marca uma nova fase em sua trajetória.

Foto: Beatriz Galvão

Em seus dois últimos álbuns, Clara expõe bem sua versatilidade musical com rimas e melodias que mostram seu potencial de destaque. No entanto, devido às contradições que contornam a cena, ela sente dificuldade de falar sobre as expectativas para o futuro do Rap em relação ao protagonismo das mulheres.

“Em 2021, é difícil falar sobre expectativas, além do momento que a gente está vivendo, que está difícil para todo mundo, ainda temos que entrar em discussões de coisas que ao meu ver nem precisavam mais serem ditas, porque tinha que acontecer naturalmente. Por exemplo, de projetos importantes terem sete caras e apenas uma mina, ou os caras chamarem as mina para fazer refrão.”

O lançamento do Poesia Acústica 10, que gerou uma série de debates nas redes sociais por ter apenas uma mulher convidada, é só um dos exemplos de algo comum na indústria musical, sobretudo no Rap. A visão de Clara sobre a necessidade de projetos coletivos incluírem mulheres  tem relação com oportunidades e, consequentemente, crescimento. Além disso, o que não nos falta são exemplos potentes para mudar as estruturas. “A gente precisava de uma parada que fosse verdadeiramente igual, porque é foda ver a quantidade mina que tá de igual para igual com os caras mais ouvidos e apenas eles serem os caras que estão em todas as mídias”, disse a rapper.

As mudanças desde o seu primeiro EP, “Transgressão”, são muito nítidas no que tange a temática. Clara afirma que passou a escrever mais músicas sobre amor quando permitiu viver coisas diferentes fora de sua cidade de origem. Assim foi viajando e conhecendo outras pessoas. Cada álbum representa uma fase importante de sua vida, mas para ela, é inegável que “Selfie” tem um lugar especial em seu coração.

Além disso, o EP lançado em 2019 abriu novas oportunidades para a sua carreira, como o documentário que conta sua história de vida e todos os caminhos que percorreu para ser a Clara Lima. “Selfie foi uma parada que me permitiu fazer um bagulho totalmente diferente do que eu fazia e foi uma construção que eu fiz de forma coletiva”, contou. O EP também conta com a participação de seu irmão, Chris MC, na faixa “Tudo muda” na qual eles falam sobre os desafios e as conquistas na caminhada.

Foto: Beatriz Galvão

O terceiro álbum da artista, “Só sei falar de amor”, lançado em fevereiro deste ano, marca mais um processo da nova fase. O título é expressivo e nas 5 faixas com participações de DonCesão, Duquesa e Luccas Carlos, a mineira abusa das possibilidades mais sensíveis da temática do amor, tanto nas melodias, quanto no conceito visual do álbum.

“Eu acho que uma mensagem de amor era importante e a gente conseguiu transmitir isso. Consegui fazer a divisão das músicas, porque esse é o lado A do projeto, ainda tem o lado B que é um mundo totalmente diferente, porém complementar e que também vai ser lançado esse ano.”

A estratégia de lançar o lado A do projeto no início do ano foi proposital pelo fato de vivenciarmos a pior fase da pandemia no Brasil e o mercado musical estar completamente comprometido com as restrições dos shows. Essa era a mensagem que ela precisava ouvir, bem como a que precisava passar para as pessoas.

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