Conheça mais da Brasa em editorial inspirado pela Nike

Editorial “Individualidades” mostra a personalidade de cada integrante do coletivo

Bell Hooks dizia que para nós, mulheres negras, as imagens construídas como barreiras entre a nossa identidade e o próprio mundo eram abandonadas momentaneamente, antes de serem restabelecidas. Na busca pela nossa construção identitária, vivemos um instante de criatividade, de mudança. É difícil achar o seu lugar no mundo, se olhar no espelho e reconhecer seu olhar, identidade e pertencimento.

A moda e o Hip Hop coexistem há décadas. O gênero musical teve sua construção para além das notas e o visual é um desses pilares. Ele é um meio de comunicação, seja expressando a personalidade ou cultura local, com variadas composições. Para além de tudo, é um meio em que nós nos encontramos e nos sentimos à vontade em expressar quem somos, sem um padrão pré estabelecido ou estereotipado.

A Brasa Magazine é formada por 26 pretos, sendo 25 mulheres negras de diversas regiões do país, cada um com sua bagagem de experiência resultando em estilos individuais. Há quem goste de roupas mais largas, outras que curtem elementos que refletem a cultura local e sua própria vivência. O editorial Individualidades, com apoio da Nike, apresenta a particularidade e diversidade do nosso existir.

Ana Luiza Sampaio, gang de Desenvolvimento, 24 anos – São Paulo

“Por muito tempo tentei me encaixar dentro de um padrão da mulher negra: as tranças, as argolas, o dourado, a unha, o badgirl… todo um pacote que me foi inserido que seguia a linha de todas as mulheres da minha família. Desconstruir essa estética e perceber que, além de negra, existe toda uma personalidade e uma unicidade construída por mim mesma, foi crucial para o meu estilo. Hoje meu estilo representa todas as personas que me constituem, mas principalmente é um resultado de uma ana que abraçou a si mesma e não precisa se encaixar em nenhum estereotipo para se sentir feliz.”

Aimmeé Araújo, repórter, 20 anos – Rio Grande do Norte

A moda pra mim serve como uma forma de externalizar ações, emoções e, principalmente a personalidade. Então através dela eu tento expressar essa mistura de tudo o que sou a partir de um mix de objetos meio good vibes que conversam com algo mais das ruas. Eu fico nessa brincadeira que nem sempre dá certo, mas é quem sou, é o meu estilo.

Aline Bernal, social media e planejadora de campanhas, 25 anos – São Paulo

“Gosto de usar roupas confortáveis e que me conquistam de primeira, mas não penso em combinações. Gosto muito de cores fortes. Meus piercings no rosto são o que fazem a diferença pra mim, porque sem eles, não me sinto a mesma. Também gosto de mudar meu cabelo e atualmente ruivo é meu tom favorito pra me destacar”.

Ana Carolina, repórter e social media, 23 anos – São Paulo

” O estilo importa muito pra mim porque é uma das poucas vezes que consigo colocar minha personalidade 100% pra fora e me representar como gostaria de ser vista. Não sei se tenho um estilo único, mas dizem que sou muito paulista então imagino que seja algo meio streeet wear. É importante porque sinto que me visto muito como alguém da minha área.”

Ariene Leite, gang do audiovisual e redação, 23 anos – São Paulo

“Levou um tempo para entender que o meu estilo está totalmente atrelado a minha autoestima e a forma como eu me vejo como pessoa. Foi depois de me conhecer que consegui, de fato, definir o que eu uso hoje. O HIP HOP, querendo ou não, influenciou muito o meu estilo. Depois que eu estabeleci o meu universo e passei a frequentar os ambientes que dialogam comigo hoje passei a me identificar e me sentir bem com o que uso e o que sou”.

Beatriz Dias, fotógrafa e produtora audiovisual, 21 anos – Rio de Janeiro

“É difícil me definir em um só estilo, como brecholeira, garimpo peças que vejo potencial e monto looks que me deixem confortável, brincando com as possibilidades que encontro. Quando iniciei minha transição capilar e passei a usar meu cabelo naturalmente crespo, encontrei na forma de me vestir mais um jeito de me expressar e me sentir confortável comigo mesma”

Chyara Gomes, gang de Design, 24 anos – Amapá

“Definir meu estilo é difícil pra mim, pois me visto de várias formas. Acordo e quero me vestir de um jeito, no dia seguinte quero me vestir totalmente diferente do dia anterior, e tá tudo bem! Não acho que você tenha que definir absolutamente tudo, as vezes você só quer ser você, do seu jeitinho, do jeito que se sentir melhor”.

Gabriella Barros, repórter e social midia , 24 anos – Rio de Janeiro.

“Confortável é a base da minha auto estima. Através das roupas que uso mostro a minha identidade para o mundo. Para mim andar com roupas e composições que gosto são a base da minha auto confiança. Gosto de estar atenta ao universo da moda street e trazer para minha realidade.”

Gabrielle Neves, fotógrafa e repórter, 21 anos – São Paulo

“Ainda estou descobrindo meu estilo porque tenho pra mim que ele caminha lado a lado com o autoconhecimento. Talvez essa seja a importância dele pra mim – externalizar meus processos contínuos de autoconhecimento.”

Isadora Duarte, diretora de arte, 22 anos – Rio de Janeiro

“Preciso usar roupas e acessórios que transmitam e me deixem a vontade com quem eu sou – mulher, preta, periférica – por onde eu passo nessa cidade caótica que é o RJ, principalmente para mim que moro na Zona Norte. Percorrer esse estado de ponta a ponta e não queria perder quem eu era, uma menina de cor da Penha que vivia e vive no corre. E muito disso não vem de referências que eu tive de blogueiras, artistas ou pessoas famosas da internet/TV e sim de outras meninas como eu, mais velhas, que eu admirava e me identificava aqui pelo meu bairro.

Julia Reis, CEO e co-fundadora, 22 anos – São Paulo

“Meu estilo é um pilar importante de quem eu sou. Tenho inspirações de roupas mais street e tomboy, definidas por mais largas que fazem eu me sentir à vontade. É o jeito como me mostro pro mundo e me reconheço. Acredito que a moda é um canal que posso externalizar minha energia e construção.”

Juliana Wanderley, repórter e social midia, 23 anos – Rio de Janeiro

“Sempre gostei muito de arriscar meu estilo misturando peças vintage e outras dentro da moda atual. Meus pais são as pessoas que mais me influenciaram nesse sentido; por isso, passei a trazer peças antigas do guarda-roupa deles para as minhas combinações. É uma forma também de homenageá-los, trazer a história deles comigo, falar sobre eles”.

Karina Lima, repórter, 22 anos, Vitória – Espírito Santo

“Gosto do Streetwear, é um estilo que representa bem a moda de rua de forma descontraída e autêntica. É importante para mim porque representa também as minhas origens de periferia e paixão por Hip Hop.”

Karolyn Andrade, editora de redação, 24 anos – São Paulo

“É através do meu estilo que consigo expressar meu humor – que varia muito. Prezo sempre pelo conforto, gosto de peças que destacam o meu corpo, não me deixando presa neles (claro). Não sou a mais antenada nas tendências entretanto sempre que gosto de uma peça tento trazer para minha realidade.”

Luana Reis, social midia, 20 anos – São Paulo

“Considero a maquiagem um dos itens essenciais que compõem meu estilo, desde o começo da pandemia tento construir um olhar diferente através da maquiagem, tem que rolar uma expressão artística e não aquele papo de “cobrir imperfeições”. Curto um estilo baddie e minhas referências de roupas giram em torno dessa energia.”

Maria Carolina Conceição Brito, repórter, 26 anos – Distrito Federal

“O meu estilo é importante pra mim, pois ele é um dos meios que encontrei pra me expressar, sou uma pessoa mais reservada e com o jeito que eu me visto eu consigo expressar algumas coisas. O estilo foi moldado com o tempo, hoje eu ressalto caraterísticas que já foram motivo de bullying na época da escola, como os olhos, a boca e é claro, o cabelo.”

Mari Paulino, editora de redação e marketing 29 anos – São Paulo

“Meu estilo é total anos 90/00! Mesmo depois de várias transições da moda, sempre mantive a mesma linha. Gosto de estar confortável, mas ao mesmo tempo gosto de cores e estampas vibrantes (ala clubbers) A importância do meu estilo é o conforto e sempre com um toque de personalidade, como um assessório diferente para deixar minha cara.”

Nicole Ribeiro, gang de marketing, 21 anos – São Paulo

“Mano, eu gosto de me vestir de diversas maneiras, mas sempre prezo para que todas elas sejam bem confortáveis. O modo em que me visto é muito importante pra mim, porque mostra quem sou e como me sinto bem.”

Nicoly Bahoc, diretor de arte, 26 anos – São Paulo

“O streetwear é o que me define, pois é uma mistura das peças de outros estilos. E como boa geminiana que sou, tem dias que é calça larga, cropped e jaqueta e em outros é blazer, shorts. A mistura de peças esportiva com social. Por ser uma mulher gorda, rola uma dificuldade na hora de achar peças que me caibam e fiquem bonitas, sem parecer que ta muito apertado e desconfortável, ter desenvolvido meu estilo é importante para minha auto estima e confiança, essa mistura de peças faz com que eu me sinta gostosa e livre. Sem falar que reflete a minha própria personalidade, que é maleável e de adaptações, além de criativa que sempre preza o conforto.”

Paula Silva, repórter, 29 anos – São Paulo

“Basicona. Ele é importante porque diz muito sobre mim: prática e sem muita firula. Quanto mais simples melhor. Não acho que combino com estampas exageradas, glitter, neon e etc – apesar de gostar muito da estética alegórica dos animes e mangás.”

Thayná Serra, gang de design, 22 anos – Maranhão

“Tive uma adolescência bem emo/punk rock, muitas das minhas roupas são herdadas da minha mãe, muita coisa tem ligação com meu lado esotérico/macumbeiro e, tudo isso se mistura com a cultura de rua e dis saraus e slams…. Sendo mais específica: gosto de brilho e cor, peças antigas e muitos acessórios, principalmente de anéis. Pra mim é importante que o que eu visto expresse quem eu sou, o que eu sinto, a minha história.”

Thalita de Freitas, gang de design, 20 anos – São Paulo

“Meu estilo é bastante eclético e sempre com um tom político. Sou funkeira, cult, amante do hip hop, apaixonada pelo maranhão. Acho q ser eclética me dar muita liberdade pra experimentar um pouco das muitas maravilhas dessa vida tão vasta. Sou aquariana, logo, amo ser livre!”

Vivian Oliveira, gang de audiovisual, 23 anos – Amapá

“Meu estilo é construído muito a partir das referências das saias de marabaixo que as mulheres usam na minha terra, sempre rodadas para ter balanço e floridas com cores chamativas. Amo usar saiões longos e vestidos, tudo que remeta ao tropical e ao calor de lá de cima. É importante pra me lembrar de onde eu sou, coisa que é muito fácil de esquecer estando aqui pra baixo na cidade grande.”

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