It’sa: “É preciso resgatar e propagar cada vez mais a ideia de inclusão na cena.”

Por: Camila Soares e Carol Brito

Em um mundo hostil, o Breaking sempre esteve de braços abertos, o levou aos palcos de três campeonatos mundiais. Além disso, It’sa é integrante da equipe da compania Cirque du Soleil uma das maiores do mundo. A Brasa bateu um papo com It’sa sobre o seu trabalho, realizações e a inclusão do Breaking nos Jogos Olímpicos.

It’sa Gonçalves conheceu a dança aos 12 anos de idade por causa de um primo que era Breakdancer, de forma natural foi se inserindo na cena até que começou a entrar no jogo. Foi na dança que construiu sua personalidade, entendeu o que queria ser e o que não era e se descobriu como não-binário.

Em um mundo hostil, o Breaking sempre esteve de braços abertos, o levou aos palcos de três campeonatos mundiais. Além disso, It’sa é integrante da equipe da compania Cirque du Soleil uma das maiores do mundo.

A Brasa bateu um papo com It’sa sobre o seu trabalho, realizações e a inclusão do Breaking nos Jogos Olímpicos.

Brasa: Qual é a maior realização da sua carreira?

“Consegui me posicionar como eu realmente quero e representar minha quebrada, minha identidade de gênero, sentir que trabalho com um propósito.”

Brasa: Como é o cenário do Breaking em Belo Horizonte?

“O cenário de Breaking em Belo Horizonte faz juz ao nome do estado, os locais de treinos e as crews são como minas de ouro, difíceis de ser encontradas e distantes umas das outras. Apesar do difícil acesso, vale a pena procurar, tanto os treinos como os eventos tem uma energia única, muito pura, que apesar da falta de incentivo das instituições, segue resistente.”

Brasa: Como foi participar do mundial?

Uma experiência inesquecível pra minha vida, um encontro com várias inspirações, e um momento onde me senti orgulhoso de mim, onde me senti muito lisonjeado por estar representando o meu país e a comunidade LGBTQIA+

Brasa: Quais são as suas expectativas para o Breaking nas Olimpíadas?

A minha expectativa é de que o sistema Olímpico não descaracterize a real essência das batalhas de Breaking. Eu realmente desejo que as pessoas que estejam realizando esse grande feito, considerem a importância social que essa dança carrega. Entendam que o Breaking é elemento de uma cultura que é autônoma de instituições, que tem sua própria metodologia para realizar eventos e atingir os lugares mais vulneráveis da sociedade, independente de Olimpíadas o Hip Hop e o Breaking vão continuar acontecendo. A verdade é que, o Breaking não precisa dos Jogos Olímpicos, os Jogos Olímpicos precisam do Breaking.

Brasa: Qual movimento você teve mais dificuldade em aprender?

“Na minha opinião, no Breaking a maior dificuldade não está em aprender movimentos, mas sim em conseguir entender e unir todos os fundamentos da dança para executá-los de uma maneira completa. Cada movimento tem sua complexidade e com um longo processo de treino e estudo, seu corpo vai absorvendo e manifestando isso de uma maneira genuinamente sua. É por isso que amo essa dança.”

Brasa: Qual movimento você mais gosta de fazer?

“Me sinto sempre mais a vontade fazendo Top Rocks, porque posso fazer em qualquer lugar com qualquer música.”

Brasa: Como você analisa a ocupação dos espaços urbanos que o Breaking promove? É uma ocupação mais democrática? A rua se torna, de fato, um espaço de todes?

“Acredito que essas ocupações são algo extremamente necessário, a sociedade precisa entender que temos o direito de manifestar nossa arte, mas sei que existem formas mais eficientes de fazer isso acontecer e tem como tornar esses manifestos cada vez mais democráticos e inclusivos. Para muitas Mulheres cis e pessoas da comunidade LGBTQIA+, os eventos não são um lugar onde nos sentimos seguros, a cena ainda é bastante machista. É preciso resgatar e propagar cada vez mais a ideia de inclusão na cena.

Compartilhe nas suas redes sociais

Share on facebook
Share on twitter

Somos veículo de revolução