JOCA: A Salvação é pelo risco!

Por: Vivian Oliveira (Vivi) e Beatriz Dias

Dois anos depois de uma pandemia que tirou basicamente todas as nossas energias e expectativas, lá estávamos nós: eu e Bia, a.k.a. Imperatriz, no Circo Voador dia 24 de fevereiro, no show de um dos artistas que alavancou em sucesso nos anos pandêmicos. João Caetano, se apresentou pela primeira vez no lugar que foi palco de outros grandes artistas. Um feito memorável na carreira do menino que veio de Minas, cresceu na Região dos Lagos no RJ e se mudou para Niterói pra se estabelecer. E como se estabeleceu, hein?!

Foto: Vivian Oliveira em JOCA: Salvação é pelo risco!

Particularmente, estava muito ansiosa pra esse momento, pois o acompanho desde 2018, quando ASÉPR nasceu. As músicas do JOCA sempre me levaram pra um lugar calmo e tranquilo e eu mais do que nunca queria muito poder estar em um show que me faz bem.

Ao começar, uma coisa me chamou a atenção: um padê (mistura de farinha com água, podendo ser feito com dendê e outros ingredientes) e uma quartinha (um recipiente de barro ou louça onde se guarda água) estavam ali no palco, mostrando que os caminhos de espiritualidade e musicalidade, principalmente pra esse artista, estavam andando lado a lado entrelaçados.

Foi curioso por coincidência – ou não – eu estava no processo do meu primeiro mês de preceito, e neste lugar, a espiritualidade também estava ao meu redor. A primeira canção foi pra Exu, a entidade que abre os caminhos. A mistura do som dos batuques, luzes, soar da guitarra e a euforia do cantor deram ao público ali presente o que eles estavam precisando: a energia que só um show do JOCA pode oferecer.

Foto: Vivian Oliveira em JOCA: Salvação é pelo risco!

Após +a primeira música, João Caetano lançou a famosa frase “esse é o show do JOCA” e tudo ali ficou muito familiar. Ao escutar Katara, me lembrei de quando a ouvi pela primeira vez em 2018, antes mesmo de ser lançada, quando tive a experiência de me mudar para Niterói. Detalhe sobre o preceito: não se pode cantar nem dançar, então foi beeeem difícil não me balançar quando começou a introdução de Breve, muito bem interpretada pela rainha Ciana (que quem não conhece o som, deve correr pra escutar após essa leitura!).

Me emocionei ao ouvir Eternos, minha música preferida do álbum, um feat incrível com o LT, que com muito esforço mantive minha postura observando, entre os cliques que eu fazia, as pessoas cantando com todo o coração essa que pra mim fala muito sobre as conquistas que todo grupo almeja alcançar. A canção Jorge, com o artista angolano NIZAJ, essa em específico foi muito incrível, pois além do tom de voz marcante do cantor, a música faz parte da trilha sonora do filme Jorge, gravado na Maré que vai ser lançado logo logo.

Num piscar de olhos e de cliques, ouvi a intro de In Sônia e já sabia que aquele show (que eu já tinha ido milhares de vezes e que sempre achei injusto ser tão curto) estava acabando. É muito doido perceber que mesmo depois de 2 anos de muita movimentação, pós pandemia, após um monte de coisa que nem cabe nesse texto, eu estava ali onde já estive diversas vezes.

Foto: Vivian Oliveira em JOCA: Salvação é pelo risco!

Enquanto Ciana cantava as últimas estrofes, pessoas maravilhadas com sua voz e sua beleza arrebatadora, me permiti pensar nos caminhos que nos trouxeram até lá. A Brasa Mag tinha contribuído para que eu estivesse ali junto com a Bia pra registrarmos um rolê importantíssimo na trajetória do Joca, mas que era importante pra gente também. Eu saí do Amapá e me encontrei no meio de um mar de música e arte em Niterói onde o ASÉPR esteve na trilha sonora por diversas vezes. Fui embora e voltei, mas no fim a música sempre esteve ali pra me ajudar a passar pelas situações de maneira mais leve.

E se formos pegar ali pelas entrelinhas do que é esse se permitir caminhar, indo, voltando, indo de novo e fazendo o trajeto sempre que necessário para se curar e se permitir viver como achamos que se deve ser vivido… a salvação de fato é pela música. E pelo risco.

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