Lista de trabalhos que incendiaram 2021

Se o ano de 2020 foi regado por aflições para a indústria criativa, o ano de 2021 foi a esperança que profissionais e admiradores da arte suplicaram. Foi nos primeiros dias de janeiro que a primeira brasileira foi vacinada, uma enfermeira preta. Um respiro de alívio. Atualmente estamos com 94% da população vacinada com, pelo menos, a primeira aplicação. Com o novo cenário, a cena artística mostrou que o jogo nunca para. Ainda com máscara pendurada no rosto e álcool em gel na pochete, temos voltado a poder circular por eventos, mostras, batalhas de rima, desfiles e shows – inclusive nós mesmas conseguimos celebrar o primeiro ano de Brasa Mag no mundo de forma presencial. Entretanto, diversos envolvidos com o Hip Hop não desaceleraram os passos. Na época que foi restringido os shows, a criação artística poderia ter se perdido, mas fora do palco ela se fez ainda mais presente. Ela se manteve na voz, nas linhas, nos conteúdos gerados e planejamentos do futuro.

É por isso que apresentamos agora a nossa curadoria sobre trabalhos realizados neste ano. A apuração interna foi feita até o dia 22 de novembro, os trabalhos lançados posteriormente. infelizmente, não foram contemplados. Um salve Don L!

Obras que incendiaram 2021

Victor Xamã – Calor

O desabafo artístico de Victor Xamã flerta com o soul, traz peso e muito repertório das vivências de um amazonense. É fora do óbvio e traz um frescor. A capa é uma arte a parte. (Julia Reis – São Paulo)

Rico Dalasam – Dolores Dala Guardião do Alívio

Eu já amava Ogunga, mas DDGA me derrubou. É absurdamente sincero, íntimo e potente. É um álbum ousado e maduro com produções bem bonitas, achei que acertaram em cheio quando vi algumas faixas produzidas pelos meninos do Attoxxa e pelo mahal pita, parceria que deu muito certo. Fiquei muito feliz com essa pegada do Rico e tê-lo no meio do hip hop, com todas as bandeiras que ele levanta por ser quem é, sempre será um grande presente ouvi-lo e um grande presente para a música preta brasileira. (Isadora Duarte – Rio de Janeiro)

Esculpido a Machado – Leall

Achei esse álbum muito foda, o Leall trazendo narrativas periféricas do RJ e eu aqui em São Luís me identificando bastante, o que me levou a refletir (ainda mais) sobre a dimensão da violência com corpos pretos e periféricos no BR.

No Brasil 2021, todo periférico teria que ouvir esse álbum, já que passamos por vivências muito semelhantes. Leall, sobretudo, nos dá uma lição: Não baixarmos a guarda nessa vida tão injusta e que podemos mudar nosso destino. (Thayná Serra – Maranhão)

Diretoria – Tasha e Tracie

O EP das gêmeas contempla a arte brasileira. Através de samples de funk e outros estilos musicais que são originários desse país, como o samba, por exemplo. Além disso a última música do álbum fecha a obra com perfeição quando o som se conecta a capa e faz o fechamento da obra. (Luana Vieira – São Paulo)

Eu Gosto de Garotas – Larinhx!

O álbum mistura várias sonoridades características do Brasil e o mais importante, pra mim, é esse olhar exclusivo pras vivências de mulheres com outras mulheres, e o cuidado em se comunicar a partir disso. ( Carolina Faria, São Paulo)

FBC & Vhoor – “Baile”

Som de quebrada, feito por quem é de quebrada, sobre e para a quebrada. “Baile“ é documento em movimento; reverencia a memória dos bailes soul de BH, coloca nos charts uma pesquisa musical que registra o legado do povo preto, seu desenvolvimento até os tempos de hoje, e pinta as nuances que pintam a vida de quem mora nas perifas brasileiras: entre a e de festa e a tragédia. (Brenda Vidal, Porto Alegre)

J. Cole – The Off-Season

Como fã de longa data do artista eu tinha muitas expectativas, e o trabalho novo não decepcionou. J. Cole apesar de ser de uma geração que pode ser considerada antiga, já que o rap pelo mundo se renova a todo instante, trouxe no trabalho muito drill e trap, o que mostra diálogo com as novas gerações. (Carolina Brito, Distrito Federal)

Montero – Lil Nas

Além de entregar uma versatilidade impressionante no projeto, ele a dilui como uma obra de rap carregado de feats certeiros, como Doja Cat em “Scoop” e Megan Thee Stallion em “Dollar sign slime”. Além do piano de Elton John e seu punk pop e emaranhado guitarras emo, que vai desde a um rap eufórico ao pop delicado. (Henrique, São Paulo)

Donda – Kanye West

Kanye prometeu e entregou. De início achei a quantidade de faixas um pouco exagerada mas cada uma te leva para uma experiência diferente, algo que só o Ye consegue fazer. Desde que lançou estou sempre voltando nesse álbum, pegando novas referências, encontrando novas sonoridades. A ideia aqui não é que seja um álbum perfeito mas sim um que te faz ter sentimentos e respostas diferentes. Para isso que a música serve, não é? (Ariene Leite, São Paulo)

EP Visão Vilão – Ferreiro

Foi o primeiro EP lançado pelo artista e me tocou muito por se tratar de histórias que também vivi, foi um trabalho muito lindo e feito de forma coletiva. Nos trouxe muito orgulho de uma forma geral do role. O “Abre Alas” do artista na cena tem muito o que dizer e vai tocar em muitos lugares ainda. (Nicole Ribeiro, São Paulo).

Personas que incendiaram 2021

Tasha & Tracie – Aqui na gang da Brasa é unânime. As gêmeas não só entoam nosso hino como também representam o nosso corre. Foi incrível para nós ver o estrondo que foi 2021. Tudo mudou, nós já estávamos de pé para aplaudi-las.

ANTCONSTANTINO – O artista conseguiu se destacar em lives da Twitch e digitalmente durante a pandemia. Fundou um selo, conquistou um público fiel, destaca sempre a valorização de produtores musicais, apoia pessoas talentosas da cena. Vem construindo um trabalho sólido no estúdio que é no seu quarto. Com a volta dos eventos é visível: está em quase todos os lugares. (Gabi Barros, Rio de Janeiro)

Monna Brutal – Ela vem mostrando sua habilidade em lírica e sensibilidade artística. Quebrou tudo em 2.0.2.1, no seu perfil da Pineapple e finalizou o ano com La Janta. O caminho que fez durante o ano só mostrou ainda mais o quanto é uma honra para nós testemunharmos a ascensão de uma artista com sede de vencer arrombando portas. (Julia Reis, São Paulo)

Perifa no toque – Achei o lançamento “respeita o funk” bem impactante e importante. Eles conseguiram criar um produção “simples”, mas completa, envolvendo um bom conceito com um bom design e uma boa comunicação. Conseguiram comunicar a luta de um ritmo marginalizado e ainda movimentar uma galera digitalmente, tanto que chegou na gravação de DVD do Hariel. (Isadora Duarte, Rio de Janeiro)

Ebony – Na minha opinião soube trabalhar muito bem o pré lançamento do novo trabalho; fez o público não perder a ansiedade em acompanhar, fez várias collabs legais (Larinhx, BK, Borges), participou de vários shows super legais e é uma artista incrível de se seguir nas redes. (Juliana Wanderley, Rio de Janeiro)

Rihanna – Vou escolher a Rihanna que mesmo sem lançar músicas novas, seguiu quebrando recordes e se consolidou como uma grande empresária em áreas extremamente difíceis para pessoas pretas, por diversos fatores, que são as áreas da beleza e da moda. (Maria Carolina Brito, Distrito Federal)

Mile.lab- Seu desfile incendiou o SPFW e o mundo da moda, a estética que nasce do extremo sul de SP parece invadir os espaços com toda a força necessária pra destruir antigas estruturas. Com toda certeza, foi um marco gigantesco – e provavelmente somente um ponto de partida pro que virá. (Thalita Freitas, São Paulo)

Tássia Reis – Com a autoridade de quem pavimentou avenidas no Rap Br dos anos 2010, ela nada contra as marés tiktokianas e chartianas; em vez de singles ou eps, ela entrega o lançamento de “Próspera D+“, versão revisitada de “Próspera” (2019). A inovação supera o formato, mostra que o registro não encerra a obra, e apresenta passos destemidos rumo a novas sonoridades, como vogue e house music. É flow de abundância! (Brenda Vidal)

Cristal – Já dizia André 3000 “O sul tem algo a dizer” e ele está dizendo através das linhas da Cristal. O EP Quartzo mostra a disposição que ela tem em contar histórias, um grande convite para dentro. Além de mostrar toda desenvoltura vocal, é a conexão perfeita com cada beat, seu produtor certamente fez uma visita na sua mente. É uma concentração incrível das suas ideias e vivencias, com gingado do mais nobre. Me sinto chic quando coloco para tocar. Não posso esquecer da participação do álbum da Atlanta com “Vingativa”, ela é o norte. Vou seguir por onde se aventurar artisticamente. (Karolyn Andrade, São Paulo).

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