Mano Brown diz não negociar sua individualidade em ‘Mano a Mano’: ‘Sou a cara da massa’

Um dos maiores artistas vivos que marcou a cena do Hip Hop ao lado dos Racionais MC ‘s, Mano Brown é um comunicador nato. Seja através de suas linhas, em cima de palanque, numa roda de conversa, numa apresentação em festivais ou até em uma simples postagem no Instagram. Brown sabe se comunicar e isso atrai diversos olhares para si. Sem medo do diálogo, o artista agora é oficialmente host de um podcast. “Mano a Mano” chega amanhã, 26/8, no Spotify.

Quem acompanha o artista sabe que nas décadas passadas era difícil ver alguma aparição ou entrevista com o grupo. Por escolha, Brown sempre deixou claro onde eles queriam pisar e como queriam falar. É só pensar nos avanços comunicacionais dos últimos anos. A mídia não tinha tato com o Hip Hop, tudo se resumia em propagação de preconceitos, como associação ao tráfico.

Para os jovens periféricos, seus sons nunca se trataram disso, pelo contrário. Através de suas linhas, muitos passaram a acreditar em sonhos e desafiar as leis da sociedade que lhes colocavam para baixo. Afinal, um grupo chegou e gritou frases entaladas em nossas gargantas. Uma conversa que nunca existiu passou a ser constantemente lembrada.

Foto: Pedro Dimitrow

“Olha, pretendo apresentar pessoas para esse público que ouve Rap e eles vão falar por mim. Essa é a ideia, apresentar pessoas e pensamentos”, comentou sobre o propósito do podcast, que receberá nomes polêmicos como o Fernando Holiday. “Não concordo com o que ele pensa, mas ele é uma inteligência negra, não concordo com muita coisa que ele fala, pessoas que ele já atacou”, completou.

Segundo o comunicador, “Mano a Mano” é sobre diálogos. Na recente coletiva de imprensa, o artista falou sobre a idealização do programa. Tudo começou com um mergulho sobre histórias durante a pandemia que paralisou o país. Seu anseio por obter conhecimento foi crescendo, o compartilhamento era uma fase crucial desses aprendizados. Seus amigos olharam e pensaram: “Por que você não compartilha tudo isso com mais pessoas?” Seu filho, Kaire Jorge foi peça fundamental.

“Sou o cara mais comum do mundo. Sou um brasileiro médio, filho de uma mulher negra com um cara branco desconhecido, sou a cara da massa, produto tipicamente brasileiro, filho da escravidão.”

“Eu quero chegar no trabalhador da ZL que tá duas horas no transporte público, que não chega uma informação diferente pra ele, outros veículos não informam a mesma coisa”, comentou Brown sobre como pode ser o impacto do podcast com o público. Ele quer fazer com que diálogos “restritos” cheguem a todos.

Por ser um programa original da maior plataforma de streaming da atualidade, muitas pessoas se questionam do porque da escolha. Pouco pra falar e muito pra entender: “O Brasil tem uma coisa que é histórico, que é assim, toda vez que um negro começa alcançar a liberdade, alguém grita pega, e muitas vezes o cara que pega é negro também, parece que não podemos sair do quadrado. Tem gente que não gosta de ver preto rico no Brasil, eu percebo o novo momento, de 5 anos pra cá, Emicida por exemplo, tá dando aula em Portugal, é sobre isso.”

Foto: Jef Delgado

O novo host receberá grandes personalidades de diferentes cenários, como música, esporte, política, religião, sociedade e cultura. A primeira convidada é Karol Conká, que viveu um começo de ano conturbado após sua participação no reality show Big Brother Brasil. Brown revelou que fora sua equipe, muitas as pessoas contestaram a escolha.

“Entrevistar a Karol Conká foi um momento delicado pra ela e até pra mim. Imagina uma pessoa que teve 99% de rejeição, onde as pessoas não queriam ouvir ela. Naquele momento ali, agora eu já não sei. Não assisti, nunca assisti, mas chamaria assim mesmo. Uma rejeição de 99% me interessa muito, talvez eu teria uma rejeição maior que a dela.”

“A revolução hoje tá na prática, no que você pratica no dia a dia. O Brown pode fazer 20 discos tentando passar a visão, tentando ser a liderança. Agora, eu tenho que ser útil na prática. Existe uma distância entre o que se prega e o que se consegue viver. Você não consegue por na prática aquilo que você canta sem investir muito do que você tem, a sua saúde. A gente vive uma vida de renúncias também. Mais velho, eu começo a negociar algumas coisas da fama, do status, pra poder ter uma vida mais discreta, pra poder estar mais próximo da minha família, dos meus amigos”, concluiu Brown.

Com direção criativa da Agência GANA e produção de Mugshot e Boogie Naipe, “Mano a Mano” estreia em 26 de agosto, grátis, apenas no Spotify e em formato de áudio. Não perca a chance de ouvir essas histórias e ampliar a visão. Desta vez sem batidas sonoras, o que importa aqui é o diálogo natural.

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