3ª edição do Red Bull FrancaMente é uma aula de batalha

No último fim de semana, rolou a final nacional do Red Bull FrancaMente no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, e claro – iremos te contar tudo. Foram 16 batalhas até Martzinn ser coroado o campeão nacional da batalha pelo corpo de jurados mais que especializados: Júpitter Paz, Clara Lima, Léo Cezário, Slim Rimografia e Bob13.

A atmosfera do gramado do Auditório do Ibirapuera era muito leve, independente da competição o Hip Hop estava vivo ali em cima dos palcos e na plateia. Ao nosso redor era possível ver muitas famílias, crianças e pessoas diversa no mesmo propósito: querendo conhecer o campeão. Em cima do palco, era nítido o nervosismo e concentração dos MCs que iam batalhar, mas também dava para ver outro sentimento, dessa vez no olhar dos jurados: o encantamento pelo tamanho do evento para uma batalha de rap.

Clara Lima foi escolhida para ser uma das juradas da competição pela sua história nas batalhas de BH. Bi-campeã nacional, Clarinha era infalível no freestyle. Antes do rolê começar, troquei uma ideia com ela sobre muitas coisas, mas é claro, sobre rap.

“É muita responsabilidade estar aqui. Como eu já estive do outro lado, eu sei o quanto é importante para cada competidor que tá aqui batalhando pelo seu sonho. Por outro lado, é muito feliz fazer parte do outro lado, em um evento tão foda como é o Red Bull FrancaMente, com a estrutura que o evento proporciona aos MCs. Então eu fico nessa de responsabilidade, mas ao mesmo tempo muito feliz e realizada de estar de volta no rolê das batalhas”, contou.

Eu, como uma mera espectadora de batalha, sempre me perguntei em que os MCs pensavam naquele momento, principalmente na final. Qual o sentimento que você leva para uma batalha que pode mudar sua vida? A Clarinha respondeu o dela.

“Eu sempre levei a batalha como uma parada que fosse divertida pra mim, eu tenho que estar curtindo isso aqui. Mas a final é sempre uma parada de muita ansiedade. É a hora do tudo ou nada ali né, o que vai definir aquele momento. Eu já participei de algumas finais importantes, uma do Duelo Nacional, então posso falar que a ansiedade é o que me definia numa final”, diz.

Além de todo o contexto da batalha, a Clarinha também tem uma discografia impecável. No começo do ano, ela lançou o EP “O Som Que Vem da Alma”, um trampo lindo, leve e muito sentimental, que teve o dedo da artista em todos os processos.

“Participar de tudo foi uma parada nova mas que me deu outro start para daqui pra frente na minha carreira. Eu comecei muito nova. Até aqui, tava meio que aprendendo como fazer, como eu poderia me portar, como eu poderia ser ativa mesmo no meu trabalho no todo, sabe? E ‘O Som Que Vem da Alma’ veio me mostrar que já tô ciente de como posso participar ativamente de todos os processos e ser um novo momento na minha carreira, sabe”.

Depois de ouvir o “Só Sei Falar de Amor”, EP que Clara lançou ano passado, eu como uma garota que cresceu a base da boa e velha MPB, não consegui parar de me perguntar da onde vinham essas referências, quem era a Clara Lima por trás do Rap. A última romântica de BH ficou quase um ano morando na minha mente com essas perguntas. Aliás, se você nunca ouviu esse ep, precisa ouvir.

“Eu acho que é uma parada do que eu vim consumindo minha vida inteira. Eu escuto música desde a barriga da minha mãe. Ela cantava na igreja, meus tios são músicos autodidatas, então eu acho que vem muita referência de tudo que eu ouvi. Meu pai tinha em casa um DVD do ‘Barzinho e Violão’, que são inúmeros artistas da MPB em um só DVD. Eu escutei muito isso na minha infância, e eu sempre quis fazer música, só não sabia que era o rap. Aprendi a tocar violão antes de ter contato com o rap. Acho que veio desse meu gênesis com a música”, sanou minha dúvida.

Acho que até aqui, já deu para perceber que eu sou um pouco fã da Clara Lima. Ela sempre me chamou a atenção, desde o primeiro vídeo de batalha que vi. O sangue no olho pela vitória, as rimas feitas com muita atenção e cuidado e sempre, sempre, muito respeito pelo adversário e pela batalha em si. Acompanhar a vida da Clarinha me mostrou um hobby que temos em comum: o amor pela cozinha. A diferença é que ela faz aulas de culinária, eu só me arrisco com o que conheço. Imagina a minha cara de felicidade quando consegui um spoiler, sobre os próximos passos desse amor?

“Abrir um restaurante é um plano pro futuro distante, mas a gente pensa em fazer um projeto que seja numa pegada entrevista, com comida e tal. Então em breve, a gente tem algo aí nesse meio!”


Nos bastidores, uma pessoa me chamou atenção. Alice Gorete, MC alagoana, estava dando um depoimento para a transmissão da batalha e eu fiquei ali, prestando atenção. Ela estava claramente nervosa, mas também, claramente radiante com aquele momento. Sendo a única mina a chegar na final nacional, eu precisava pelo menos saber como ela estava se sentindo.

“Eu me sinto muito grata por tudo. É um peso grande também, né? Eu não sou a única mulher a fazer isso, mas fui a única a chegar até aqui. Acredito que eu tenho um propósito também e minha carreira até aqui me mostrou muito isso. Já desisti e já voltei, e estar aqui, é uma grande motivação pra mim mesma”, ela me contou.


As batalhas foram puro sangue. Público envolvido, MCs dando sempre o seu melhor, indecisão dos jurados e terceiros rounds de tirar o fôlego. Douglas Din, um dos hype mans mais conhecidos das batalhas nacionais, fez o comentário que define a noite: “O freestyle merecia isso aqui [se referindo a estrutura] há muito tempo.”

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