O funk brasileiro é referência internacional

O funk sempre foi um movimento cultural importante no Brasil, ecoando nas vielas das quebradas de todo país. Uma arte comunicacional que registra a história de pessoas pretas e periféricas no alto som das caixas. Para além das periferias, o gênero musical demorou muito tempo para ser reconhecido como movimento cultural – e ainda há controvérsias. Mesmo depois de artistas como Tati Quebra Barraco, Malboro, Furacão 2000, Mc Daleste, Mc Carol, entre outros, colocarem o estilo no radar, existe muito preconceito dentro do país.

Fora do Brasil, o ritmo é cada vez mais escutado, respeitado e admirado, a ponto de se tornar referência nos beats, danças, letras e até videoclipes. Segundo um levantamento do Spotify feito em 2018, o funk brasileiro teve um crescimento de 3.421% nos ouvintes internacionais. As principais ouvintes vieram de Portugal, Inglaterra e Estados Unidos. Para saber mais sobre a história do funk, confere o nosso DMRB completo aqui.

Falando de música internacional, é fácil encontrar as referências do funk também fora do Hip Hop, como no som “Are You Gona Tell Her?” da Tove Lo feat. Mc Zaac. Além do funkeiro soltando a voz, o clipe foi gravado aqui no norte do Brasil, com dançarinos brasileiros, e o beat é claramente um funk desaceleradinho.

Já no Hip Hop, o som indiano “Mirchi” do DEVINE feat. Stylo G, Mc Altaf & Pheenom movimenta as melodias ao som da batida. As referências desse som chamam atenção pelas características detalhadas e regionais, como o violino na introdução, uma das marcas registradas do funk paulista desde Mc Bin Laden e “BumBum TanTan”.

O quarto álbum de M.I.A, “Matangi”, também já se jogou no batidão. Classuda como sempre, ela sampleou a pioneira carioca Deize Trigona com “Bucky Done Gone”, outro som que protagoniza a referência musical, já que é 100% baseado no batidão carioca e relembra o ouro do Furacão 2000.

Até a Cardi B, rainha do momento, se jogou no Funk. Além de todos os stories e vídeos que a rapper posta nas redes, ela lançou um quadradinho de 8 no clipe de “Up” , com um cenário e marra que só podem ter vindo das brasileiras

Recentemente, o funk carioca foi incluído na categoria “Urban Music” do Grammy Latino, o que é uma grande vitória para o ritmo e todo mundo que depende dele e faz a cultura ferver, mesmo em um lugar onde rola pouquíssimo investimento e muito preconceito. Mas também deixa esta repórter com a pulguinha atrás da orelha:

Será que um dia o Funk passará a ser visto como um movimento cultural que transforma vidas?

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