O TikTok e o resgate do #Black2000

Nos últimos anos nos deparamos com o crescimento do R&B diretamente influenciado por tendências, como a Y2K.

O TikTok se consolidou como uma das principais ferramentas na divulgação e lançamentos de músicas, ao ponto de ser um agente fundamental da reformulação da indústria musical nos últimos anos.

Para além dos pontos negativos – que sim, existem vários – a plataforma também é responsável por reviver constantemente grandes hits, seja intencionalmente ou não. O TikTok reúne pessoas de diversas idades e de todos os lugares do mundo, o que gera um local fértil para trocas geracionais, mas a essa altura do campeonato você já sabe de tudo isso.

A volta dos que nunca se foram

O TikTok também é um local que gera e se alimenta de tendências de diversos nichos, e a renovação cíclica da moda e comportamento nos trouxe de volta para a virada do milênio – começando pela estética Y2K, que surgiu no final da década de 90.

Esse sentimento de nostalgia, que é gerado por essas tendências, reflete diretamente no cenário musical mundial. Por isso nos deparamos com sonoridades que soam tal qual a Black Music dos anos 2000, principalmente o R&B.

Sons que antes estavam guardados no lugar de clássicos atemporais nos corações dos amantes de R&B voltam a ser consumidos em massa, principalmente após chegarem nos ouvidos de uma nova geração que idealiza e produz conteúdos audiovisuais fáceis de serem consumidos – os chamados trends virais.

Riff Challenge

Caminhos da Black Music

Black Music é o nome pelo qual chamamos esse conglomerado de gêneros musicais que nascem a partir de um mesmo contexto. Aqui estamos falando do Soul, Jazz, Blues, Funk e R&B.

Esses gêneros nascem da luta pela individuação do povo negro escravizado e sua sobrevivência, enquanto tentavam não perder suas culturas, ritmos e ritos.

Esse recorte da musicalidade negra é essencial para a formação cultural norte americana, o que refletiu diretamente na história popular brasileira. E isso só aconteceu graças a pirataria.

Quem nasceu a partir da década de 90 e morava em bairros periféricos passou a infância toda indo à feira comprar CDs e DVDs piratas que reuniam as músicas que estavam bombando lá fora, como uma grande playlist.

Isso influenciou diretamente a nossa percepção musical – não à toa que sacamos muitos samples e somos transportados novamente para as rádios da casa de nossos pais e vizinhos que tocavam esses sons quase todos os dias.

Da pirataria aos samples e interpolações

Os samples e interpolações são duas formas de referenciar sonoramente grandes artistas e, além disso, são maneiras de gerar sentimentos de nostalgia para estar alinhado ao momento e suas tendências; ou, em uma palavra, o famigerado mood.

Se você ainda tem dúvidas sobre a diferença entre sample e interpolação, se liga que a explicação tá na mão:

Esse mood rola através de inúmeros recursos e o apoio visual é indispensável, como a Mahalia no clipe “Whenever You’re Read”, que tem referências fortíssimas de Say My Name, das Destiny Child.

Mais pra cima, coloquei que esse contexto todo é sobre a volta daqueles que nunca se foram, e de fato isso é verdade. Aqui, pego a liberdade de tradução para dizer que a música negra nunca se foi, mas na última década vem atingindo novos públicos.

Arrisco dizer que isso acontece porque atingimos uma instantaneidade mundial na troca de informações onde questões sociais, políticas e culturais são vividas, percebidas e debatidas com uma velocidade quase difícil de captar.

A possibilidade artística de referenciar grandes nomes, momentos e contextos da musicalidade preta com um impacto mundial nunca visto antes é algo que gera frutos, que são colhidos cada vez mais cedo.

Como o trio britânico FLO, que segue a estética de girlband característica do R&B dos anos 90. Elas usaram o TikTok e o Twitter para publicar regravações do gênero, seguindo toda a cartilha estética e sonora dos grandes nomes que marcaram a época.

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